02/07/2021 17h36 - Atualizado em 02/07/2021 18h00

A verdade é que pouco sabemos sobre a vida. Quando você pensa que é uma boa notícia, percebe a curto, médio ou longo prazo, que não era. E vice-versa. Minha avó sempre dizia: há males que vêm para o bem. A percepção que se tem é que a vida é um sistema extremamente inteligente, com muitas variáveis, que se torna quase impossível prever totalmente risco, oportunidade, probabilidade e consequência de determinada ocorrência. Assim, de alguma forma, passamos a maior parte de nosso tempo nos preocupando com a possibilidade de ocorrência indesejável. O problema da preocupação constante é que nos mantém sempre ligado, de prontidão, perante a possibilidade do imaginado acontecer. Estar ciente de todas as adversidades que ocorrem em todos os cantos do planeta, através da Internet, em tempo real, nos traz à mente, já propensa a negatividade, uma ansiedade intensa e contínua. Nesse caso, se torna imprescindível estar consciente que as preocupações podem ser reais ou imaginárias. Uma mente organizada reserva um tempo separado no dia para as preocupações. Isso exige disciplina de fazer cada coisa no seu momento certo. Nos dias atuais, é quase comum encontrar pessoas em que o número de suas preocupações é bem maior que o número de suas incertezas. Demonstram não estarem bem adaptadas ainda ao imprevisível e inesperado que as mudanças rápidas provocam. Por outro lado, a conduta humana, geralmente, coleciona certezas sem valorizá-las devidamente. Por exemplo, uma das certezas que temos é que ao se alimentar, com saúde, os órgãos do corpo humano funcionarão corretamente; que o universo é governado por leis infalíveis; que Jesus trouxe a explicação da lei da "ação e reação" quando disse "Seja luz e receberá luz". Se questionar um religioso sobre se tem alguma certeza, ele dirá: "Minha alegria vem da certeza de que sou amado por Deus e que Ele sempre me amparará". Será que estamos buscando segurança no incerto e no instável? Será que estamos necessitando de novas seguranças? Um porto seguro que considero são os meus valores de vida, obtidos nos processos inseguros da vida. Sinto que tudo muda, mas eles sempre me sustentam. É sabido que as incertezas sempre nos apresentam desafios evolutivos. É justamente nesses momentos que ocorrem as mudanças mais transformadoras. E, sem mudança não existe progresso. E, não existe progresso na zona de conforto. Aceitar as incertezas da Vida é uma maneira nova de vivenciar as circunstâncias da vida para que o progresso encontre espaços, e não mais limites nos processos mentais do ser humano. Deixo aqui uma pergunta: onde encontrar mais segurança nos dias atuais? Não é um local. É intangível. Só se encontra segurança com certeza no agora, visto que só tem vida no presente. O futuro não foi feito para ser preocupado tanto e sim mais planejado.