10/07/2021 11h39 - Atualizado em 10/07/2021 12h37

Em geral, inconscientemente, costumamos carregar para todos os lugares duas placas invisíveis. Em uma está escrito “o que eu ganho com isto?” e na outra “o que eu perco com isto?”. Se dependesse de nós, com raras exceções, escolheríamos nunca perder e ter uma vida com ganhos contínuos, uma vez que, geralmente, relacionamos perda com sofrimento e ganho com felicidade. É a mentalidade de fugir da dor e buscar o prazer.  A realidade mostra que têm pessoas que querem ficar rica, mas não querem trabalhar o suficiente. Querem ser ótimo aluno na escola, mas não pretendem estudar o necessário. Desejam ter um relacionamento, mas não querem sacrificar nada. Querem estar imunizados perante o vírus, mas não seguem o protocolo de cuidados. Nestes casos, não tem jeito, a probabilidade da perda acontecer é grande. 

Por outro lado, existem pessoas que, por motivos diversos, não aceitam ser felizes. Também há indivíduos que colocam a felicidade no passado ou em um futuro incerto. E, existe uma fala popular que diz que a felicidade está onde a colocamos. Mas, geralmente a colocamos onde não estamos. 
Além disso a sociedade cobra que a pessoa seja feliz, uma vez que relaciona essa conquista com sucessos pessoal e profissional, transformando a felicidade em um dever.  A maior parte da comunidade não tem percepção que a paz por si só já é um grande ganho, devido ser o tempero da felicidade. Não tem como ser feliz sem ela. Essa paz não é aquela que buscamos através da satisfação de nossos desejos. Desejos de ganhar sempre.  É uma paz relacionada a olhar para dentro de si a fim de olhar para fora com propósito e coragem. Para verificar se conquistará a paz nas decisões a serem tomadas bastam as perguntas:  Estarei bem com Deus? Bem com o próximo?  Bem comigo mesmo?
Nesta linha de raciocínio, ao praticar a caridade você consegue, numa só tacada, atender todos os questionamentos acima.  
Na economia da vida tudo caminha para o equilíbrio. Exemplos: cada dia que passa, ganhamos novas células na reciclagem do corpo físico, mas perdemos as células que perecem. Você ganha um dia ao amanhecer, mas ao mesmo tempo é um dia a menos em sua vida. Quando ganha algo, também perde algo. 
É uma troca, normalmente, não contabilizada pelo ganhador.
De maneira geral, as aparentes perdas são correções de rota na jornada da vida, bem como lições indispensáveis.
Na realidade temos muita dificuldade em enxergar os benefícios que estão por trás de todas as situações da vida, demonstrando não termos consciência que tudo visa o progresso do ser humano. Com isso, a placa “o que eu perco com isto?” se torna desnecessária, uma vez que o ganho sempre virá. Também com isto, deixo de ser escravo de acertos e erros, uma das principais prisões mentais.
Quando se tem plena consciência desta razão de estar, a mente fica muito mais feliz, pois percebe que sempre algo dará certo. Viva a Vida.

Davison de Lucas